terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Sua relação com o Eu Superior

A sua relação com o Eu Superior é uma relação de imediata conscientização de sua presença – não como um ser separado, mas como sua própria essência.


É viver a realização enquanto se comporta de maneira humana perfeitamente natural e é neste último sentido que um antigo texto Oriental descreve o sábio como não tendo em sua pessoa sinais distintivos.


A descoberta do seu verdadeiro ser não é exteriormente dramática e por um longo tempo, poderá ser que ninguém saiba disso, exceto ele mesmo. O mundo pode não honrá-lo por isso: ele poderá morrer tão obscuro como viveu. Mas o propósito de sua vida foi cumprido e a vontade de Deus realizada.


Assim como um homem que escapou de dentro de uma casa em chamas e ao encontrar-se no frio ao ar livre entende que atingiu a segurança, do mesmo modo o homem que escapou da ganância, luxúria, ira, ilusão, egoísmo e ignorância, entrando em uma exaltada paz e em um insight instantâneo, entende que ele atingiu o céu.


A dor e o sofrimento, o pecado e o mal, a doença e a morte, existem apenas no mundo dos pensamentos, não no mundo do Pensamento puro em si. Eles não são ilusões, entretanto, eles são transientes. Quem atinge o Pensamento puro irá também realizar na consciência uma vida sem dor, sem tristeza, sem pecado, imperecível e eterna. Estando acima dos desejos e dos medos, está necessariamente acima das misérias causadas por desejos insatisfeitos e medos consumados.

Paul Brunton
O Caminho Breve


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Realização filosófica ou final

Sem manter firmemente em perspectiva essa natureza-mental original das coisas e, portanto, sua unidade original com o eu e a Mente, o místico deve, naturalmente, ficar confuso se não iludido por aquilo que ele considera ser a oposição do Espírito com a Matéria. 

O místico olha para dentro, para o eu; o materialista olha para fora, para o mundo. E a uma falta aquilo que o outro encontra. Mas, para o filósofo nenhum deles é fundamental. Ele olha para a Mente da qual tanto o eu como o mundo são apenas manifestações e na qual ele, também, encontra as manifestações. Não é suficiente para ele receber, como o místico recebe, iluminações intermitentes e ocasionais derivadas da meditação periódica. 

Ele relaciona essa compreensão intelectual com a sua descoberta posterior, adquirida durante a autoabsorção mística no Vazio, de que a realidade do seu próprio eu é a Mente. De volta ao mundo mais uma vez ele estuda-o novamente sob essa nova luz, confirma que a multiplicidade do mundo consiste, no final, de imagens mentais, unificando isto com a sua compreensão metafísica integral de que o mundo é simplesmente Mente em manifestação e, portanto, passa a compreender que ele é essencialmente um com a mesma Mente a qual ele experimenta em autoabsorção. 

Assim sendo, seu insight se efetiva e ele vivencia essa Mente-em-si-mesma e não como separada do mundo dos sentidos enquanto que o místico as separa. Com o insight, o sentido de unidade não destrói o sentido de diferença, mas ambos permanecem estranhamente presentes, enquanto que com a percepção mística comum um cancela o outro. 

As inumeráveis formas que compõem a imagem deste mundo não desaparecerão, sendo elas uma característica essencial da realidade, nem mesmo irá a sua consciência delas ou a sua interação com elas ser afetado. Consequentemente, ele possui uma firme e final realização na qual ele irá possuir permanentemente o insight da pura Mente, mesmo em meio às sensações físicas. Ele vê tudo nesse mundo de multiplicidades como sendo a Mente em si mesma, tão facilmente quanto ele pode ver o nada, o Vazio sem imagens, como sendo a própria Mente, sempre que ele se interessa em colocar-se à parte em autoabsorção. 

Ele vê tanto as faces externas de todos os homens quanto as profundezas interiores de seu próprio eu, como sendo a própria Mente. Assim, ele experimenta a unidade de toda a existência; não de forma intermitente, mas a todo momento ele conhece a Mente como realidade última. Esta é a realização filosófica ou final. Ela é tão permanente quanto a do místico é transitória. 

Em tudo o que ele faz ou se abstém de fazer, o que quer que ele experimente ou não experimente, ele desiste de todas as discriminações entre realidade e aparência, entre verdade e ilusão, e deixa seu insight funcionar livremente à medida que os seus pensamentos não selecionam e não se apegam à nada. Ele experimenta o milagre de ser indiferenciado, a maravilha da unidade indiferenciada. 

As fronteiras artificiais criadas pelo homem se derretem. Ele vê os seus semelhantes como inevitável e inerentemente divinos como eles são, não apenas como as criaturas mundanas que eles acreditam ser, de modo que quaisquer vestígios de uma atitude ascética mais-sagrada-que-tu desaparece completamente dele.


Paul Brunton
O Caminho Breve


domingo, 14 de janeiro de 2018

Nossa individualidade superior

Com a retificação desse erro podemos encontrar a resposta correta para a pergunta: “ Qual é o significado prático da injunção colocada por todos os grandes mestres espirituais aos seus seguidores, de desistir do ego, de renunciar a si mesmo? ”

Isso não requer um sentimentalismo tolo, no sentido de que devemos ser como massa de vidraceiro nas mãos de todos os outros homens. 

Isso não requer algo absolutamente impossível, no sentido de que nunca possamos atender aos nossos próprios assuntos, de forma alguma. 

Isso não requer o absurdo inútil, no sentido de estarmos tornando-nos alheios a nossa própria existência. 

Pelo contrário, ele requer o que é sábio, prático e que vale a pena – que abdiquemos de nossa personalidade inferior em troca de nossa individualidade superior.

Paul Brunton
O Caminho Breve

sábado, 13 de janeiro de 2018

O Sábio

Não somente é possível atingir esses breves vislumbres do Eu Superior, como também é possível atingir uma consciência estável e duradoura dele. Nenhuma mudança desse estado pode então acontecer. 

O adepto descobre que o seu futuro não é diferente do passado, mas exatamente o mesmo. Este é o sagrado Eterno Agora. Somente através dessa luz duradoura é possível ver como eram misturadas e imperfeitas todas as experiências anteriores e transitórias.


O místico não se importará e poderá não ser capaz de fazê-lo, mas o filósofo tem que aprender a arte de combinar o seu reconhecimento interno do Vazio com a sua atividade externa em meio aos objetos, sem sentir o menor conflito entre ambos. 

Tal arte é reconhecidamente difícil, mas pode ser aprendida com tempo, paciência e compreensão. Assim, ele sentirá internamente a unidade em toda parte deste mundo de variedade maravilhosa, assim como ele experimentará todas as inúmeras mutações da experiência como estando presente no próprio meio dessa unidade. 


Não há rupturas na consciência de sua natureza superior. Não há perda de continuidade na consciência de seu espírito imortal. Portanto, ele não é iluminado em uma hora do dia e não iluminado em outra hora, nem mesmo iluminado enquanto ele está acordado e não iluminado enquanto ele está dormindo.


O sábio não se retira à noite na escuridão, a ignorância do sono comum, mas à luz da Consciência, a sempre ininterrupta Transcendência.


Paul Brunton
O Caminho Breve


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

...Um bem maior

Apesar de toda a alta conversa idealista de unidade, fraternidade e ausência de ego, cada um de nós ainda é um indivíduo, ainda tem que habitar no seu próprio corpo, usar a sua própria mente e vivenciar os seus próprios sentimentos. Esquecer isto é praticar autoengano. 


Cada um virá à Deus no final, mas ele virá como uma pessoa transformada, purificada e como uma pessoa totalmente mudada, vivida e usada por Deus como ele mesmo viverá e estará consciente da presença de Deus. 


As diferenças entre os seres humanos ainda permanecem após a iluminação. As variações que tornam cada um o exemplar único e individual que ele é ainda continuam a existir. Mas a Unicidade por atrás dos seres humanos contrabalança isso poderosamente. 


Pois para o homem naquela elevada consciência e identificado com esta, o ego é simplesmente um canal aberto através do qual o seu ser poderá fluir para dentro do mundo de tempo e espaço. O ego não é ele mesmo, como o é para o homem não iluminado, mas um adjunto de si mesmo, obedecendo e expressando sua vontade. 


Devolva o ego para o Eu Superior e então o Eu Superior vai usá-lo como ele deve ser usado – em harmonia com as leis cósmicas do ser. Isto significa que o bem-estar de todos os outros em contato com o ego serão considerados como se fossem o bem do próprio ego. 

Paul Brunton
O Caminho Breve


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Ter Fé

Aquele que sabe e sente o poder divino em seu ser mais íntimo será libertado, no sentido literal da palavra, das ansiedades e preocupações. Aquele que ainda não chegou a esta fase, mas está no caminho em sua direção, pode acercar-se do mesmo desejável resultado pela intensidade da sua fé naquele ser. 

Mas tal pessoa precisa realmente ter fé e não apenas dizer que a tem. A prova de que ele a possui, residiria na medida em que ele se recusa a aceitar pensamentos negativos, pensamentos temerosos e pensamentos desanimadores. 

Na mesma medida em que ele não falhar na sua fé e, portanto, em seu pensamento, nesta mesma medida, o poder superior não o deixará de apoiar na hora de sua necessidade. Foi por isso que Jesus disse a seus discípulos: “ Não vos preocupeis com o dia de amanhã. ” 

No caso do adepto, tendo ele desistido do ego não há ninguém para cuidar dele, então o Eu maior o faz por ele. No caso do crente, embora ele ainda não tenha desistido do ego ele está, entretanto, tentando fazê-lo e a sua confiança inabalável no Eu maior é recompensada proporcionalmente do mesmo modo. Em ambos os casos a expressão bíblica: “ O Senhor proverá ” não é apenas uma esperança piedosa, mas um fato concreto.

Paul Brunton
O Caminho Breve

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O Caminho Breve

Quem quer que atue de forma a tornar-se tão maleável ao ponto de deixar que o Eu Superior segure na sua vontade pessoal deve necessariamente tornar-se em seu interior desapegado das consequências pessoais de seus atos. 

Isto será verdadeiro quer sejam essas consequências agradáveis ou desagradáveis. Tal desapego liberta-o do poder do karma, que já não pode pegá-lo em sua teia, pois “ ele ” não está lá. Sua consciência emocional que precede uma ação é sempre iluminada e caracterizada por compostura sublime, ao passo que no homem não iluminado pode ser caracterizada por motivações do desejo egocêntrico, ambição, medo, esperança, ganância, paixão, desagrado, ou mesmo ódio – todos os quais são fazedores-de-karma. 

Paul Brunton
O Caminho Breve

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

3 anos de Blog!!!

Esta semana completamos 3 anos do Blog Diário sobre Paul Brunton!


Agradeço imensamente a todos pelas visitas e por todo o contato!

Que prossigamos adiante, com PB e seus ensinamentos no coração,
Em Deus, com Deus e para Deus sempre!

***

The Path of Philosophy. Lectures on Paul Brunton in Figueira

Olá!

Faço o convite a que visitem a página de Paul Brunton: 
The Path of Philosophy. Lectures on Paul Brunton in Figueira.
Página de Micha-El (Alan Berkowitz).

O Portal contém partilhas em áudio de Alan sobre a vida e o trabalho de Paul Brunton realizadas na Comunidade Figueira, Carmo da Cachoeira, Brasil, entre Janeiro de 2002 e Março de 2008.

Visitem! É um importante trabalho sobre Paul Brunton. O material está em inglês/português.

Clique na imagem abaixo para acessar:

The Path of Philosophy

http://thepathofphilosophy.org/

sábado, 2 de dezembro de 2017

Todos em Um






A experiência humana é o resultado final de um processo de inter-reação, uma tela fiada conjuntamente com um espírito comum em que residem e pensam todos os seres humanos que reside e pensa neles. Todo a mundo em si é o produto da combinação de uma imaginação cósmica e de uma imaginação individual.




Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A Filosofia, nossa mais brilhante esperança

A filosofia oferece a todos uma experiência suprema maravilhosa e constitui nossa mais brilhante esperança.

Todas as palavras são miseráveis diante desta grande experiência que um dia toda a raça humana conhecerá; e todos os que estudam com sinceridade e perseverança podem conhecê-la desde já.

É portanto um erro crer que a vida exterior, a existência pessoal, as relações sociais do estudante filósofo possam sofrer uma espécie de mutilação ou de diminuição. Elas se enriquecerão e se alargarão, contrariamente às expectativas malsãs, pois, com efeito, o espírito deve fazer descer, neste mundo de espaço e de tempo, um pouco desta grandeza bem-aventurada, deste milagre permanente que percebe no seu mundo transcendental. 

Embora o Real no absoluto e na sua pureza se encontre permanentemente como um Vazio, além do mundo manifesto e relativo, não será menos paradoxalmente a fonte e a inspiração dos valores mais altos que este contém. O estudante acha pois, na filosofia, em função de suas tendências interiores e das circunstâncias exteriores, o que não encontra no ascetismo místico: um poderoso impulso para criar novos valores na arte, na literatura, na civilização e no trabalho, na instrução e na política, bem como na economia e na indústria; em suma, em todos os campos da atividade humana.


Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior



terça-feira, 10 de outubro de 2017

Atividade característica da Mente-Mundial...

Umas das implicações mais importantes do mentalismo é o poder de concentrar o pensamento de maneira a afetar esta experiência exterior.

O construtor obtém os planos de um arquiteto, mas este obtém as ideias de sua própria imaginação.  

O nosso estudo sobre o nascimento do Universo nos mostrou que a primeira atividade característica da Mente-Mundial é construir imagens. Suas formas criadoras nada mais são que vibrações no interior de sua própria substância mental.

Levamos uma atividade paralela em nosso modo limitado e finito. Quando formamos uma imagem mental ou uma ideia abstrata, elas nascem, uma e a outra, de uma substância-energia intangível e invisível.

Se compreendermos que o drama do mundo se desenvolve apenas na mente, entenderemos também que o karma nos devolve, no fim, nossas próprias imagens e ao mesmo tempo as compensações agradáveis ou penosas que elas comportam.

Se nossa ambiência presente não é outra coisa que nossos antigos pensamentos que nos fazem voltar, não podemos repelir toda a responsabilidade em sua qualidade e forma. É preciso que pensemos com justeza e aprendamos o mais possível. Não são as ideias que atravessam a consciência, de maneira efêmera, o que importa, mas a tendência do pensamento habitual, as ideias que voltam constantemente e recebem um dinamismo poderoso de nossa fé e da nossa vontade. A imaginação intensa torna-se, assim, uma matriz na qual, com os ajustamentos reclamados pelo karma e a evolução, são moldados ao mesmo tempo o meios e os acontecimentos. As imagens mentais e as ideias racionais que retornam com frequência, e durante muito tempo, e com mais força na consciência, podem ajudar a nos elevar à nobreza espiritual e a harmonia neste mundo, ou então podem nos degradar, quando negativas, à baixeza espiritual e à discordância com o mundo.


Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Alguns frutos da filosofia



Se o Universo não tivesse saído da essência divina, nenhuma das criaturas que contém poderia verdadeiramente esperar atingir um estado mais divino. Mas, sendo ele, na verdade, a manifestação da Mente Mundial, e as criaturas, sendo da mesma substância sagrada, todas as criaturas vivas hão de sentir, por força, o desejo de iluminação ulterior. Aí está a razão de sua maior esperança, a sua melhor segurança de que poderão encontrar um dia o Eu Superior. Daí a relação íntima com este, que constitui uma garantia suficiente de que podem obter sua ajuda.



Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior

domingo, 8 de outubro de 2017

O defeito de memória da humanidade...

Milhões de cristãos repetiram a frase: "Que o teu nome seja santificado!" Que significa? Que não devemos formular nenhum pensamento, nenhuma palavra, nenhuma frase que separe Deus de qualquer coisa, que conheçamos ou possamos imaginar, incluindo nós mesmos. 

Devemos procurar sentir a santificação de Deus sem tentar separá-lo do que quer seja ou de quem quer que seja, visto que Deus está finalmente em toda parte e em tudo. Existe um mundo de existência real que a humanidade ainda tem de procurar e amar, tal é a missão não escrita que nos fixou a vida; tal a significação da existência terrestre para todos nós.

É inútil formular ideias tão distantes a respeito de uma realidade semelhante à sombra, numa época de transtornos mundiais sem precedentes, quando a maior parte dos que as leem não sentirão provavelmente sua verdade e, ainda menos provável, não compreenderão esta verdade durante esta encarnação presente? Sim, sem dúvida, porém elas são escritas para o pequeno número que tem necessidade delas e também na crença de que penetrarão profundamente nas mentes conscientes de algumas outras em que soprarão sob as brasas de um passado há muito tempo esquecidas, chamando à atividade camadas de memória enterradas muito abaixo. Finalmente os sofrimentos experimentados hoje em semelhante escala pela humanidade são devidos a um defeito de memória. A humanidade esqueceu realmente o que é, donde vem e para onde vai. Uma das metas deste livro* é ajudar a reencontrar esta memória, porque o que começa como reminiscência terminará como reconhecimento.


Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior*

sábado, 7 de outubro de 2017

O Vazio original

A Mente-Mundial emergiu da Mente e o universo emergiu da Mente-Mundial. 
De passagem, não atribuamos muita importância à preposição "de", utilizada por falta de um termo melhor. 

O universo nunca está fora da Mente-Mundial, assim como este não se separa nunca da Mente.
Toda palavra, possuindo um sentido espacial, é imprópria. Em seu primeiro aspecto, a Mente-Mundial é não-consciência, enquanto que no segundo, ela é a consciência integral. No primeiro, entrega-se inteiramente a si mesma; no segundo, consagra-se a pensar no que lhe parece como "outro". 

Se podemos considerar a Mente-Mundial como um pensamento da Mente-Essência e o universo como um pensamento da Mente-Mundial, este universo será desde então um pensamento num pensamento!

O Vazio original se torna a Mente-Mundial; não o cria. A Mente-Mundial se torna ao mesmo tempo o mundo e o homem e não os cria. A mente do homem se torna seus pensamentos e não os cria. Assim acaba o círculo da continuidade. Do mesmo modo que é o mesmo elemento que se manifesta em forma de vapor, de água e de gelo, assim é a única e mesma Mente que se manifesta como Mente-Mundial e universo sólido.


Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Sobre o Vazio

A concepção intelectual do Vazio parece sempre austera demais, no sentido humano. 

Ela se associa (sem razão, é verdade) com a do frio da morte e do silêncio dos cemitérios.

Esta reação provém do materialismo inerente aos sentidos, da incapacidade de olhar além do que se vê, se sente, se gosta, ou se toca. 
Pouca gente pode, no começo, olhar de frente esta concepção do Vazio, sem sentir arrepios. 
É, entretanto, necessário familiarizar-se com ela antes de poder passar ao grau de entendimento seguinte. Seria um erro interpretar o termo Vazio somente no sentido niilista ou negativo.

Embora pareça paradoxal, o Vazio tem um sentido positivo também. Se o Absoluto é de tal forma afastado de tudo o que conhecemos em existência, não podemos, entretanto, classificá-lo de NADA.

Ele existe positivamente, embora não tenha existência individual. Esta noção é inacessível para a inteligência, é só o será a uma alta faculdade de penetração. Porque é a natureza real de todos nós e se alguns tiveram conhecimento dela no passado, eles existiam certamente e o que eles sabiam não era inexistente, pelo que se conclui que devia possuir um gênero de ser. Segundo um texto tibetano de nosso ensino: os homens criaram o tempo a partir do Vazio, e pertenciam, eles próprios, ao Vazio. Os que compreendem isto podem mergulhar profundamente no elemento do Nirvana que transcende à relatividade.


Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Uma inspiração para a Busca

Na história espiritual do indivíduo há sempre um momento em que, por exemplo, um luto cruel, uma grave perda, o naufrágio de suas ambições, uma doença física, vem enfraquecer seu gosto pelo mundo e diminuir sua vontade de viver. 


Por um momento se afasta dos prazeres sensuais e deixa planar uma nuvem de tristeza em sua alma.  Esta nuvem passa, naturalmente, mas inspira o desejo de reencontrar satisfações independentes das coisas exteriores e faz começar a pesquisa da realidade interior.



Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Dissolvendo o mal do mundo

A civilização deve mudar; o melhor é colaborar com o destino para determinar a natureza desta mudança. Manifestamente será necessário sobrepujar obstáculos himalaianos e esta perspectiva desencoraja muitos homens. É muito fácil adotar uma atitude negativa. Mas é pouco provável que um homem tenha êxito ao dar cumprimento a uma tarefa eriçada de dificuldades, se considera apenas estes óbices. 

A filosofia ensina que não se pode julgar bem uma situação ou tarefa senão examinando-a em todos os seus aspectos, brilhantes ou sombrios, e a interpretação correta dos princípios da existência manda que nos fiemos em nossos recursos latentes e não nos abandonemos a uma inércia culposa. Se o quisermos, podemos transformar o teórico em real. O modo de libertar o mundo de seus sofrimentos não é desesperando-se, mas esperando.

A crise da humanidade é pesada em seu destino, mas não é obrigatoriamente fatal. A maior parte do karma vingador que nos conduziu à situação atual já se acha gasta. O que resta dele pode ser modificado pela criação de uma nova corrente kármica contrária que, se se tornar suficientemente poderosa, deslocará a anterior. Se fôssemos mais avisados, mais arrependidos, esta nova corrente poderia tornar inoperantes algumas das forças em ação (não todas).


Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O Eu Superior no coração...

Por existir em cada homem o Eu Superior, a graça existe em estado potencial. Quando nele desperta, dá-lhe imediatamente a consciência de mudança enorme no sentido em que opera; trata-se da mutação moral, física, sentimental ou material. Esta potência é tal que pode frequentemente destruir seu equilíbrio no domínio sentimental ou intelectual.

O Eu Superior não está muito longe, além do coração. Se se julga de outra maneira, é uma ilusão, da qual devemos libertar-nos para a busca metafísica ou a prática mística. A afirmação de que Deus reside no coração do homem não é somente de caráter poético, mas de caráter científico. E, portanto, o nascimento da graça é primeiro sentido no coração, não na cabeça, porque o coração é o mais íntimo habitat no corpo humano.

Ela se manifesta de dois modos: primeiramente, por um sentimento que faz considerar a vida exterior como insuficiente por si mesma; em segundo lugar, por um desejo ardente da realidade interior. O nascimento começa por uma chamada da atenção sobre o peito. A força interior age por uma força centrípeta que desvia a atenção do exterior e da ambiência física. Se o paciente obedece a essa solicitação e a concentra cada vez mais, no sentido interior, achará sua recompensa. Começa a sentir que existe nele alguma coisa oculta de que deve, conscientemente, tomar posse, sob pena de experimentar todas as dores da frustração e da privação. A noção do que pode ser essa "alguma coisa" não é nítida na sua mente, mas tem a intuição de que se trata de um elemento sagrado da alma divina. 

Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior